terça-feira, 19 de janeiro de 2010

HOMENAGEM DOS " FALCÕES "


HOMENAGEM DOS " FALCÕES "

DA CART. 3452- MUCABA AO

ALFERES, CARLOS ALBERTO M. MILHEIRO


NO INFERNO DA SERRA DE MUCABA E

OS HORRORES DAS MINAS ANTI-PESSOAIS



No dia 2 de Fevereiro de 1972, o Comandante da Cart.3452 e o 1º e 3º Grupos de Combate este Comandado pelo Alferes Milheiro, progrediam por um trilho (em meia lua) em plena Serra de Mucaba, e cerca das 16H00 começaram a cair as primeiras pingas de chuva e o Alf. Milheiro atrasou-se um pouco para vestir o ponche (capa da chuva militar) , ouve-se uma violenta explosão, o Alf. Milheiro talvês por descuido ? ou falta de atenção, em vez de seguir o trilho em (meia lua) conforme os primeiros, o mesmo foi a direito dando a origem a ter pisado uma mina anti-pessoal, ficando sem a sua perna, o enfermeiro de imediato fez-lhe logo um garrote e medicou-o, o de trânsmissões pede a sua evacuação por helicóptero fornecendo as suas coordenadas, começa o INFERNO NA SERRA DE MUCABA, começa a chover torrencialmente, não existe nenhuma maca para o seu transporte, improvisa-se uma feita de paus, e ainda falta atravessar o rio BITE BITE que levava bastante água e a corrente era fortissima, manda-se uma corda para a outra margem do rio para ajudar o pessoal a atravessá-lo, a água dá pelo pescoço aos nossos camaradas de armas, todos molhados começam a sentir os primeiros arrepios de frio, a Base Aérea de Negage informa que devido às más condições atmosféricas não é possível fazer a evacuação por helio, e o inivitável aconteceu, à que continuar com o sofrimento e caminhar até à picada a fim de ser transportado para uma coluna Militar terreste para Mucaba.

TODOS OS NOSSOS COMPANHEIROS QUE SE ENCONTRAVAM NESTA OPERAÇÃO, FORAM E SEMPRE SERÃO LEMBRADOS COMO OS BRAVOS E SEMPRE LEAIS DA CART 3452 DE MUCABA.

A narração destes acontecimentos, foram-me descritos pelo 1º Cabo Joaquim Ribeiro Fernandes, que naquele trágico dia seguia à frente do Falecido Alf. Milheiro, ele ainda hoje tem na sua mente o estrondo da violenta explosão da mina anti-pessoal.

Um abraço para todos os FALCÕES do Bart 3860, Cart 3450, 3451 e 3452.

E um bem haja ao Luís Cabral por nos ter dado esta oportunidade de podermos homenagear o Alf. Milheiro por intermédio do seu Blog

Joao Nogueira Celestino.

4 comentários:

  1. lembro-me muito bem desse fatidico dia,em que o alf.faleceu,porque o meu amigo Crespo que era enfermeiro na mucába relatou-me tudo o acontecimento,foi realmente uma tragédia para quem viveu esses mumentos.
    um bem haja para todos os camaras da 3452,especialmente para quem esteve directamente
    envolvido,porque as informações que chegaram na altura foram terriveis.

    Alberto Cardoso

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  2. Na véspera do dia da saída de Múcaba da C.C 2613 que nós os "FALCÕES" fomos substituir, os Ofíciais festejaram nessa noite o regresso ao puto como se dizia na gíria, tiraram várias fotografias, passado cerca de 2 meses deu-se o infeliz acidente do Alf. Milheiro, e fez-se o seu espólio para a sua familia.

    Passados alguns meses vi que entre o roda pé e um frigorifico estava uma fotografia muito pequena ao alto, peguei nela e verifiquei que nela constava o Alf. Milheiro a bater palmas e outros Ofíciais da anterior Companhia, o que me levou a guarda-la relegiosamente até esta data.

    Hoje sinto-me uma pessoa muito feliz, em virtude de ter contribuido com a sua fotografia para a sua HOMENAGEM.

    Joao Celestino

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  3. "O episódio que vitimou o Alf Milheiro é recordado e sublimado no capitulo "Décima Sexta Intervenção" do meu livro "Contagem Decrescente".
    Nessas páginas são evocadas as peripécias vividas na tentativa de evacuação do nosso amigo, das quais fui testemunha e protagonista.
    Associo-me à homenagem aqui prestada, transcrevendo: "todos os que morrem por uma causa, exigem e merecem a vitória."
    Aqui fica o meu tributo!"

    Um abraço
    Nogueira Baptista

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  4. Fui Furr Milic., pertencia ao Agrupamento de Transmissões de Angola, e fui destacado para passar 4 meses na sede do Batalhão,para preparar as redes de grafia.Sai na primeira leva de Luanda com vcs, e estive até Março de 1972, tendo regressado a Luanda com o v/2º Comandante, quando deixou a unidade.
    Não conhecia o Alferes, mas infelismente segui na Damba via rádio todo os esforços que foram feitos para salvar esse camarada. Ainda hj em dia quando falo sobre a minha passagem pela v/batalhão recordo essa perda.
    Aqui fica o tributo de quem nunca o viu nem conheceu, mas que era um camarada de armas.

    Sei que não he o local proprio, mas gostaria de poder contactar todos os radios telegrafistas do Batalhão, pq convivi com todos eles para poder colocar as v/redes de grafia a funcionar, e tornar mais segura a vossa missão.
    Reinaldo Macedo

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