segunda-feira, 9 de abril de 2012

Depoimento do Poças-3ª parte

(Cont...) quando da destruição das barracas e da lavra, um campo de cultivo e falando com o capitão, vi o turra e ele me viu, ficámos estáticos, a olhar um para o outro, passei palavra aos meus colegas mas,tardou o passa palavra, aí apontei a arma, no momento o turra ia a fugir.
Na destruição das barracas outro IN, não sei se era o mesmo das laranjeiras, passou em baixo com um capacete na cabeça, poucos minutos depois, ouvimos os disparos de uma arma, eram da arma do turra , zoavam bem por cima das nossas cabeças, foram 10 15 minutos debaixo de fogo, tiro a tiro, ouvia-se de vez em quando, então o nosso capitão, vira-se para o cabo Marques, para ir ao encontro com a sua secção mas, ele começou, hé hé hé então, o capitão vira-se para mim, Poças, tu e a tua secção, vai ao alcance do gajo. Fiquei logo a sangue frio, avancei pelo monte acima, não via, só ouvia, filho da puta vai para Portugal, para a terra do Salazar, vocês são bandidos contra o nosso povo de Angola, contra os angolanos, vão-se embora, filhos da puta, repetiu, várias vezes, ainda fiquei com mais força, mais coragem e raiva, não havia nada a fazer ou eu ou ele, tinha que ser apanhado à mão ou morto.
Encontrámos-nos na mesma árvore, eu ia a espreitar e calhei de o ver, a espreitar para mim, gritei, meu cabrão estás aqui, recuei, fazendo fogo para a frente, pulei de árvore, não tinha mais nada a fazer, algumas 6 ou 7 árvores, ele da 1ª para a 2ª e para a 3ª, eu fazia fogo sobre ele e dizia-lhe, manda a arma para a minha frente, coisa que ele não fez, só me respondia palavrões, mais raiva eu tinha, quando ele passava de árvore em árvore eu atirava para a esquerda, para a direita, para ver se o atingia ou se ele se entregava.
Disse-lhe várias vezes para ele se render, coisa que ele não acatou, na última árvore, ou seja a sétima, havia para aí uns 10 metros sem árvores e uma baixa de terreno que dava para um riacho pequeno nessa altura, foi só despejar as 20 munições, fiquei com uma bala na câmara, acertei-lhe com a vigésima bala em cheio, por debaixo da clavícula direita, a bala saiu por cima do ombro direito.
A brincadeira das árvores foi muito importante, o turra tinha com ele 2 facas, uma grande e tinha 2 lâminas, a minha sorte foi vê-lo de frente, eu recuei, se ele repara primeiro em mim, na mesma árvore onde nos encontrámos os dois, ele com uma faca, cortava-me a cabeça, eu estava maluco, a sangue frio, concretizava ele, ainda estava pior e talvez se vingasse. (Cont...)

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