segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Notícias - Lucunga



População de Masselele pede intervenção no antigo sistema de distribuição de água
Valter Gomes Bembe - 17 de Setembro, 2011
Fotografia: Jóse Bule

A população da regedoria de Masselele, a nordeste da sede municipal do Bembe, na província do Uíge, pede um maior envolvimento da administração municipal, com vista à requalificação urgente do antigo sistema de distribuição de água potável, construído em 1950. O regedor adjunto de Masselele, Pedro Félix, disse na quarta-feira ao Jornal de Angola, que os chafarizes e tanques do referido sistema necessitam de obras de reabilitação para que a distribuição seja feita da melhor maneira possível.Acrescentou que a água bombeada pelo antigo sistema de gravidade, deixado pelos colonos, que funciona com dois tanques de três mil litros cúbicos cada, ainda jorra com grande pressão.“Muitas vezes ficamos privados de água, porque os tubos da conduta construída no tempo colonial, que transporta a água a partir do rio Camoni até ao centro da regedoria, estão cansados e, é por isso que estão sempre a rebentar”, sublinhou. A reabilitação dos chafarizes e tanques do antigo sistema, além de melhorar o processo de distribuição da água também vai permitir, segundo a autoridade tradicional, que a população residente na localidade veja melhoradas as suas condições de vida. “Todos os habitantes desta regedoria buscam a água no único poço no qual terminou o tubo da conduta que temos vindo a remendar todas as vezes que fura”, disse Pedro Félix. Além da reabilitação geral da antiga rede de distribuição de água, são ainda necessários, pelo menos, mais seis chafarizes e igual número de lavandarias públicas, para facilitar a vida da população.
Instrumentos agrícolas

O regedor adjunto encorajou os habitantes a continuarem a apostar na produção agrícola para reduzir a fome no seio das famílias e admitiu que não existem dificuldades no escoamento e comercialização dos produtos cultivados na localidade. A via que liga Masselele à sede municipal do Bembe foi reabilitada, permitindo que haja livre circulação de pessoas e bens. A localidade conta com uma associação de camponeses, composta por 36 membros, que se dedicam ao cultivo da mandioca, amendoim, batata-doce, banana, feijão e horticulturas, mas o responsável disse que a falta de instrumentos de trabalho provocam sérios constrangimentos ao aumento da produção agrícola.“As nossas terras são muito férteis e desejamos alargar a produção para contribuirmos para a redução da fome no seio das famílias. Mas, se continuarmos a trabalhar manualmente, não conseguiremos atingir o nível desejado”, esclareceu. Para o aumento da produção é necessário que o governo da província preste o devido apoio, com instrumentos de trabalho, como enxadas, catanas, limas, além de tractores com as respectivas alfaias agrícolas, máquinas de lavoura e sementes agrícolas. A regedoria de Masselele, situada a cerca de 45 quilómetros a nordeste do município do Bembe, é composta por quatro bairros – Goule, Nlanda, Kiowa e Masselele – com uma população estimada em cerca de 1.779 habitantes, maioritariamente camponesa.Neste momento, estão já preparados 58 hectares de terra, dos 550 previstos para a presente época agrícola. O chefe da repartição municipal dos Serviços Económicos e Produtivos, Santos Baptista, avançou que, no Bembe, pelo menos 1.660 camponeses integrados em 29 associações e uma cooperativa, estão a produzir uma grande variedade de alimentos, nas localidades de Vale do Loge, Lucunga, Vamba, Toto, Quiloge, Ndio e Mpambo à Matombe. Santos Baptista referiu que a agricultura é uma das principais prioridades definidas pela administração municipal do Bembe, no âmbito do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Fome e à Pobreza, porque, disse, o aumento da produção agrícola garante uma dieta alimentar sustentável e equilibrada, no seio das famílias. Para acelerar o processo de aumento da produção agrícola, a Administração Municipal adquiriu alguns tractores e respectivas alfaias, o que está a permitir a preparação faseada de hectares de terra e a facilitar o cultivo de uma grande diversidade de produtos agrícolas. Os projecto, que visa melhorar e equilibrar a dieta alimentar das famílias nas comunidades, vai abranger todas as localidades do município onde os camponeses se encontram organizados em associações e cooperativas, afirmou o responsável. O chefe da repartição municipal dos serviços económicos e produtivos avançou que centenas de hectares de terra vão ser preparados no decorrer da presente época agrícola, para o êxito da campanha, permitindo que, no final, os agricultores do município possam colher mais de 5.500 toneladas de produtos diversos. Santos Baptista apelou os camponeses locais no sentido de se empenharem cada vez mais na diversificação da produção, tendo em conta que os solos da região são bastante férteis para o exercício da actividade. A mandioca, amendoim, feijão, milho, batata-doce e rena, banana, abóbora, laranja, tangerina, abacaxi, abacate, café, cana-de-açúcar, inhame, horticultura, entre outros produtos, são os mais cultivados no município.

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