terça-feira, 18 de maio de 2010

Debandada dos comerciantes brancos de Mucaba

(clicar na foto)

DEBANDADA DOS COMERCIANTES BRANCOS DE MUCABA

Com a Independência em 1975 e com os movimentos (partidos) a não se entenderem, regressou o terror ao interior e a população de Mucaba também não escapou a esses momentos.
No dia 06 de Janeiro de 1976 ( Dia de Reis) cerca das 14H00 no Bar Kat Kero, encontravam-se nove Comerciantes (brancos) sentados numa mesa a tomar o seu café e a conversarem, e sem nada o prever, os mesmos foram metralhados indiscriminadamente, por jovens de raça negra, naturais da Mucaba, cujas Espingardas Automáticas eram nossas conhecidas (G - 3), nesse ataque faleceram no local cinco elementos, três ficaram feridos, um conseguiu fugir pelo telhado do Bar, (aqui inicia-se uma fuga espectacular) saltou para um quintal que existia na retaguarda, corre pelo campo de futebol, os mesmos já se encontravam a disparar contra ele da parte superior do campo, vai aos zig zags, consegue entrar pelo capim , felizmente a pontaria dos atiradores não era famosa, segundo a confissão do meu amigo Velissimo, ele só sentia o terror de ser atingido ou apanhado, gritando na sua correria pela protecção de Nossa Senhora de Fátima para que o salvá-se, sentindo este na sua pele as picadelas de areias, que eram projectadas pelo impacto das balas a baterem no chão e a fazerem ricochete.
Nesse mesmo dia foi a debandada, dos comerciantes da Vila de Mucaba, uns fugiram para o Bungo, sendo aí canalizados pelos Cubanos para Luanda, o Velissimo, fugiu só com a roupa que tinha vestido, assim como todo o seu agregado familiar para Kinshasa, levando a sua Esposa, Filhos e algumas mulheres Brancas de Mucaba, um negro que não quis ficar em Mucaba, passaram pela Damba, mas antes de chegarem a Kinshasa, dá-se um novo contratempo a Esposa do Velissimo dá à Luz uma Criança (Menino), a única roupa é a sua combinação que levava vestida, foi uma autentica tragédia.
Em virtude do Pessoal da Cart. 3452, conhecerem os comerciantes de Mucaba, eu vou descrever aqui os seus nomes:-
Mortos, António Costa, Armando Lopes, Henrique Pinho, José Vilar e Manuel Almeida,
Feridos, Domingos Brás, Eduardo Teixeira e Octávio Correia
Ileso (fugitivo), Velíssimo dos Santos Alpande
A narração desta "aventura" foi-me descrita pelo meu amigo Velíssimo .
Nota na foto.- Ao fundo vê-se a famosa Igreja de Mucaba, onde os Colonos em 1961 se barricaram, o Pessoal da Cart.está assistir a um jogo de futebol e do lado direito, que a fotografia não atinge era o Bar Kat Kero.

8 comentários:

  1. Os Militares que se encontram a jogar à bola em Mucaba são :-

    Rocha, Crespo, Amaral, Uva, Freitas, Rodrigues e Bolicas.

    Para todos eles um abraço

    João Celestino

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  2. quero saber do velissimo, se ainda vive?

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  3. O Velíssimo encontra-se a viver na sua terra Natal, vai no dia 28 do corrente mês para França, onde residem os seus filhos, e regressa a Portugal dentro de 2 a 3 semanas,caso esteja interessado no seu contacto, pode contactar-me por email joaoncelestino@gmail.com

    João Celestino

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  4. Celestino

    Eu sou filho de Armando Lopes (Nelito) e estou a viver em angola, quero mandar um abraco para o velissimo e saber sobre a familia como e que se encontra e tenho estado no mucaba. abraco

    Nelito Lopes

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  5. Nelito, tenho a informá-lo que, o seu tio Velíssimo neste momento encontra-se em França, eu vou-lhe mandar um email para si, a fim de o pôr ao corrente de toda a situação, desde a sua morada e nº de telefone ok.


    João Celestino

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  6. Olá Celestino,

    Sou Henrique Lopes Baptista, natural de Mucaba e meu pai, José Baptista (mestre de obras), foi morto a caminho de Mucaba em Abril de 1961, e desde esta altura, ainda com 4 anos de idade que vivo em Luanda. Nunca tive contacto algum de sua família e gostaria de saber mais, tudo o que sei é que fui baptizado nesta mesma vila (capela de Mucaba) e que meus padrinhos eram Acácio Tomás Pereira (pedreiro) e Nazaré Gomes de Morais Coelho (doméstica).
    Tem alguma informação?

    Agradeço antecipadamente e boa sorte para o blog,

    Henrique L. Baptista

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  7. Henrique, fiz todas as diligências e dentro dos meus limites, mas não me foi possivel concretizar o seu sonho em virtude de muitos ex. residentes de Mucaba já terem falecido, o unico que me poderia falar sobre o seu Pai já não se lembra desse episódio, devido à sua idade avançada e já lá vão 50 anos que isto se passou.


    Um abraço

    João Celestino

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  8. Obrigado pela tentativa e pela atenção João Celestino.

    Um Abraço,

    Henrique L. Baptista

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