terça-feira, 23 de março de 2010

O bolo da 3451

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Para aperitivo, aqui vai o bolo da CART 3451. A mesa do nosso ENCONTRO 2010 estava recheada de coisas boas, penso que o pessoal gostou, ainda bem o Sousa estava nervoso queria que todos ficassem satisfeitos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Desfile militar em Mucaba


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DESFILE MILITAR EM MUCABA

Pela Cart. 3452 passaram alguns Alferes, com o objectivo de estagiarem para futuros Comandantes de Companhia, entre eles o Alf. Andrade da Silva.

No mês de Maio de 1972, o Sr. Comandante Capitão Figueira entrou de férias e havia um caso a resolver, quem seria o Oficial que ficaria a Comandar a Cart. Interinamente ? , o Alf. Lima era o mais antigo da Companhia ou o Andrade da Silva, este do Quadro e mais antigo mas estagiário na Cart., creio eu que pelo Estatuto Militar seria o Andrade da Silva, e foi o que aconteceu.

Desta "guerra" entre os dois Oficiais, algo haveria de acontecer, o Alf. Andrade da Silva para se afirmar como Comandante da Cart., resolve marcar para o Domingo de Páscoa uma Missa Campal e um desfile Militar pela Rua de Mucaba composta por 18 casas de cada lado, isto é a minha leitura da época.

Quando os nossos Camaradas de Armas tiveram conhecimento deste desfile, gerou-se de imediato um descontentamento geral , porque estavam a tratar-nos como SOLDADINHOS DE CHUMBO, isto é sem o conhecimento do Alf. Andrade da Silva ?

1º Todos nós sabíamos que o Alf. A. Silva era um Militarista .
2º Estávamos no meio de uma guerra.
3º Três meses antes tínhamos tido a morte do Alf. Milheiro.
4º O pessoal andava estoirado, com colunas Militares para Carmona , Negage, segurança aos mercados, fazendas, patrulhamentos, operações na serra de Mucaba, acção de Psico, e ainda os serviços no Quartel, valeria a pena sacrificar ainda mais o pessoal ?.
5º Será que não merecíamos neste Domingo de Páscoa, descansar e confraternizar-mos uns com os outros ?.
6º Passados todos estes anos, creio eu, se isto volta-se a acontecer o amigo Andrade da Silva não iria proceder da mesma maneira ?.
7º No cabeçalho do do MIC. o Alf. Andrade da Silva declara o seguinte :- COMANDANTE DE COMPANHIA :- A HONRA O ORGULHO E O PRAZER DE SER COMANDANTE.
8º Assim como afirma no mesmo texto que, os brancos de Mucaba na hora do desfile tinham fechado as suas portas e janelas ?.


João Celestino

Um abraço para todos os FALCÕES.

Nota:- Nesta fotografia do desfile, e em 1º plano são os homens de transmissões, com os rádios racal às costas, Lopes, Pais, Furriel Pereira, Domingues, Conceição e Celestino. a seguir ALF. Andrade da Silva a Comandar a Companhia e o ALF. Lima a Comandar o 1º Grupo de Combate.

domingo, 21 de março de 2010

Depósito de água e torre de vígia

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O depósito de água e torre de vigia é um marco da passagem da CART 3451 pelo Lucunga, parece ter escapado à fúria destruidora da guerra civil pós-25 de Abril.

A obra de envergadura notável teve o apoio da administração civil, o administrador de posto Senhor Rui Natividade Baptista era um homem de rara capacidade e honestidade, da CSS vieram o Ribeiro e o Adão de Oliveira, juntaram-se também o Afonso Pinto e o Sousa "carpinteiro". Todo o pessoal ajudou na construção, foram efectuadas muitas colunas para transportar material.
A água chegou finalmente ao Lucunga no dia 16 de Setembro de 1973

sexta-feira, 19 de março de 2010

Mico no Coji


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As protecções à construção da ponte sobre o Rio Coji eram violentas, muito calor, muitos mosquitos, bebidas quentes, noites mal passadas enfim, lá fomos aguentando.
Jogávamos batalha naval, lerpa, bisca, sueca, crapeau, faziamos palavras cruzadas, tudo servia para matar o tempo.
A zona era muito rica em fauna, a bicharada passeava junto de nós, hipopotamos, elefantes, pacaças, burros de mato, veados e afins, javalis, impalas, aves pernaltas de várias espécies, a vegetação era verde e bonita, a natureza que nos envolvia era fabulosa, pena ter sido apreciada naquelas circunstâncias.
Na foto, está o Mico, em baixo vê-se a famosa jangada utilizada para atravessar o rio, nesta altura já se via ao fundo, a construção da ponte, obra de razoável envergadura.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Alberto Cardoso-Luanda

O Cardoso, enfermeiro, vive em Luanda, manda um abraço para todos os camaradas e suas famílias que estiveram no ENCONTRO 2010, em Leiria.

Ao mesmo tempo enviou uma reflexão de Pepetela acerca das megalomanias em Luanda, lá como cá, os políticos são todos iguais.
Aqui temos o TGV, autoestradas para todo o lado algumas quase sem trânsito, novo aeroporto, ponte sobre o Tejo, enfim, uma loucura. Portugal é um país endividado de políticos desnorteados que conduzem os portugueses à ruína...estamos lixados.

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HORROR DO VAZIO
Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. Não é forçosamente para amealhar umas comissões, como imediatamente pensam os nossos cérebros borrados de preconceitos, embora uns tantos aproveitem. Nada de novo, afinal: o mundo está cheio de processos por causa do imobiliário e o cinema e a literatura até já esgotaram o tema. O que me preocupa é muita gente estar sinceramente convencida que isso é que é bonito e assim é que será viver bem. Têm horror ao vazio que nas suas cabeças significa uma praça, um jardim, um parque, um desperdício de espaço que ficaria melhor com uma torre no meio (antes dizia-se arranha-céus, mas reconheço o exagero americano ao inventar o termo, porque os céus não têm costas, são da natureza dos anjos, e ninguém imaginaria um edifício a arranhar as costas de um anjo). Torre é melhor, lembra logo aquelas construções onde se enfiavam os prisioneiros para morrerem lentamente, como a célebre Torre de Londres, ou onde se aninhava o povo da Europa medieval para se defender de ataques. Torre sim, pois os seus utentes/prisioneiros vivem no medo de sair à rua, de viver a cidade, enclausurados e protegidos da miséria que espalham à volta de si. Queixamo-nos do trânsito na baixa da cidade (não só na baixa, sejamos justos) e nem sempre escapamos de lá cair, porque ali está concentrado mais de metade do capital financeiro e dos serviços do país. E querem fazer mais torres, para atrair mais gente e mais carros? Que as torres vão ter parques de estacionamento, dizem os defensores das ideias futuristas. O problema é entrar ou sair dos parques, porque as ruas estão atulhadas de carros. Claro que há uma solução do mesmo estilo: fazer as ruas da baixa com andares, género auto-estrada em fatias sobrepostas, ou até com viadutos por cima dos prédios, a arranharem as nuvens. Isso seria um arranhanço útil. E já agora peço, façam um túnel por baixo da baía ou uma ponte a ligar o bairro Miramar à Ilha, assim chegamos à praia em cinco minutos, como era há vinte anos atrás. Como de todos os modos a ideia geral é dar cabo da baía e da Ilha, também tanto faz, mais ponte menos ponte… Suponho também que já deve haver negociações para se tirar a Igreja da Nazaré do sítio onde está, a ocupar indevidamente um espaço nobre para mais uma torre. Uma pequena concessão não fica mal, mantém-se a igreja na cave do edifício. A História que se lixe, não foi a lição da destruição do palácio de D. Ana Joaquina? Então continuemos. Neste afã de ocupar todos os espaços, proponho também acabar com o prédio dos correios, bem feio e sem valor arquitectónico por sinal, e já agora com a praceta à sua frente, outro desperdício de espaço. E aquele compacto e azul edifício que serve a polícia? Um quarteirão inutilizado! A polícia pode ocupar um andar da nova torre. Com menos agentes, claro, para se fazer encolher o Estado, assim mandam os compêndios do liberalismo económico, nossa nova Bíblia. Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.
Pepetela

terça-feira, 16 de março de 2010

Freguesia de Castelões de Cepeda - Paredes

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A Freguesia de Castelões de Cepeda - Paredes, tem colaborado com o pessoal da CART 3451, através do nosso camarada José Manuel Mota, cede o autocarro para o pessoal se deslocar anualmente aos Encontros da Companhia.
Atitudes destas são raras, estamos habituados a ser maltratados pelos políticos, daí o nosso agradecimento ao Presidente da Junta de Freguesia de Castelões de Cepeda, Senhor Francisco Augusto Ferreira

segunda-feira, 15 de março de 2010

36º Encontro da CART 3451

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Realizou-se o ENCONTRO da CART 3451, tudo decorreu bem, em ambiente de alegria e camaradagem.
Estiveram presentes 46 elementos da Companhia e muitos familiares, no total de 82 pessoas.
Brevemente, será postado um vídeo, com imagens do evento.
O anfitrião, António Júlio Guedes de Sousa esmerou-se na recepção aos "camaradas de armas", sempre em cima do acontecimento para que nada faltasse, nem tempo teve para comer, para ele vai o nosso agradecimento.
O próximo encontro será realizado pelo Ferreira, na zona de Tomar.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Encontro 2010

É já amanhã o ENCONTRO 2010 da CART 3451, está tudo preparado para receber o pessoal, esperamos que nada falhe.

Desde já, temos de agradecer ao camarada António Júlio Guedes de Sousa a forma como acarinhou o ENCONTRO 2010.
A execução ao pormenor, deve-se à filha, Catarina Sousa, a sua delicadeza, disponibilidade e eficiência, é digna dos maiores louvores, sem ela, tudo seria complicado.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Soares+Sousa

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Nesta foto, temos 2 homens das transmissões, o Sousa e o Soares.
No ENCONTRO 2010, o Soares estará presente. O Sousa será o anfitrião, receberá toda a comitiva numa das suas casas.
Pela primeira vez, estarão presentes o Salvador e o Brito, ficamos contentes por rever estes camaradas, ao fim de tantos anos.

Falcões na Múcaba

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DETENÇÃO DE UM PRESUMÍVEL = TURRA = ?


Sinceramente já não me recordo de concreto, dos acontecimentos sobre esta detenção, mas creio que foi no sopé da Serra de Múcaba, aonde ele se encontrava e ao ver os FALCÕES pediu boleia para Múcaba, mas no próximo almoço eu vou tirar isto a limpo.

Mas esta fotografia tem outros sentimentos pessoais dos FALCÕES, que vou expor :-

O sexto elemento do lado dtº da fotografia, em cabelo e o mais baixo é o nosso malogrado cabo de transmissões Antunes, que faleceu no acidente da queda da BERLLIET ao rio , vejo ainda dois falcões que já nos deixaram fisicamente, mas sempre serão lembrados, o Fonseca e o Cunha, e o presumível turra está no centro dos FALCÕES, junto ao mastro da Bandeira Nacional.

Um abraço para todos os FALCÕES.

João Celestino

terça-feira, 9 de março de 2010

David Mendes - CART 3452 - Mucaba

O João Celestino reenviou-me este email/comentário ao post de homenagem ao Alferes Milheiro, escrito pelo David Mendes, um camarada que vivei o drama, no inferno da serra da Mucaba.
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Te desejo saúde, assim como aos teus. Eu estou bem graças a Deus, junto dos meus!
O meu filho já me deu o teu e-mail, e estou muito grato pela tua atenção. Já vi o que aconteceu a essa gente de Mucaba. Bom seria se a gente pudesse mudar o mundo!
Quanto ao Alferes Milheiro, eu gostava dele, ainda em S. Tiago da Barra, Viana do Castelo, perguntou-me um dia como é que eu relacionava-me com os meus companheiros, visto alguns deles tinham um temperamento diferente ao meu, porque eu não gostava de estar no meio de confusões, e disse-me: “Eles te tratam bem?” Eu disse-lhe que sim, na verdade todos eram meus amigos.
Quanto à sua morte, nesse dia estávamos o primeiro e o terceiro pelotões em fila indiana. O terceiro estava à frente, e andávamos no trilho usado pelos inimigos. À dada altura houve um pequeno desvio, como que um semi-círculo, que terminava no seguimento de mesmo. O Alferes foi por esse desvio e a mina explodiu com ele. Só se via fragmentos minúsculos do que foi a a parte da perna dele. Aí recebeu o socorro possível visto que eram quase as 5 da tarde, e quando comunicaram para a CCS ou quartel general do ocorrido não puderam meio aéreo para o transportar, já que era impossível, pois o helicóptero tinha de sobrevoar rente à mata, era perigoso.
Passando algum tempo começou a chover e passamos a noite com ele debaixo das árvores pois choveu até o outro dia de manha. Então Tínhamos estado a revezá-lo. Quando chegou a minha vez de estar com ele, ele sempre tirava os braços para fora da manta que lhe tapava, pedindo água. O Crespo fazia tudo o que estava ao seu alcance para minimizar a sua dor. Eu sempre lhe punha a minha mão na testa para ver como estava. Houve um momento em que ficou calmo e vi que ele estava frio. Pensei que com o tempo que estava, era natural estar frio. Chamei o meu Alferes Lima que manda outro ficar com ele um pouco. Depois ouvi a conversa que ele estava morto. Penso que morreu quando estive com ele. Foi uma pena para todos nós ver um camarada fora de combate assim desta maneira.

Celestino, um abraço. Até depois,

David."

segunda-feira, 8 de março de 2010

Encontro 2010 - Relembrar


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Convém relembrar o pessoal da Companhia que a mobilização é geral, dia 13 será o ENCONTRO 2010, ninguém pode faltar.O empenho da organização foi total, haverá surpresas, "comes e bebes" de boa qualidade portanto, toca a reunir.

domingo, 7 de março de 2010

Sousa no Lucunga

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Foto do Sousa com uma habitante do Lucunga e sua prole.
Havia muitas crianças, as mulheres tinham muitos filhos, a enfermaria da Companhia dava o apoio possível.
Recordo-me que em determinada altura, os civis recorriam aos serviços da enfermaria porque tinham os pés em ferida, roídos pelos ratos, enquanto dormiam. Nunca mais esqueci esta situação, tão estranha me parecia. As calosidades tornavam os pés insensíveis, só demanhã quando acordavam, as pessoas davam conta dos pés a sagrar. A África tem destas coisas.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Crocodilo do Lucunga

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Este crocodilo foi capturado no rio Lucunga pelo Guerra, levado para o aquartelamento foi colocado na fossa da ferrugem. Claro, a curiosidade foi grande, o Sousa aproveitou para tirar umas fotos e ver o bicho por dentro.
Sempre que viajei no avião do Aero Clube do Uíge, pedia ao piloto, para voar sobre os crocodilos, nos bancos de areia do rio Lucunga, era impressionante vê-los a fugir para a água. O piloto era amigo acedia aos meus pedidos, fazia voos picados sobre a fauna existente na zona, esses momentos foram vividos por mim com grande intensidade. Situações enriquecedoras que jamais voltarei a viver, esta foi a parte boa das minhas andanças na África.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ponte sobre o Coji

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Foto do Sousa na ponte sobre o rio Coji.
Antes da construção da ponte, era utilizada uma jangada para a travessia do rio. Esta ponte, obra de engenharia de alguma envergadura, veio facilitar a circulação para a zona das fazendas e para o Songo/Carmona/Negage.
Foi a CART 3451 que fez a protecção na construção da ponte e na abertura da picada desde 17 km antes da ponte, até ao Lucunga.
No 3º fim de ano que passámos no Lucunga, fez-se uma "corrida de S.Silvestre" entre a ponte do Coji e o Lucunga, o pessoal andava com uma "pedrada do caraças".

terça-feira, 2 de março de 2010

João Celestino - Mucaba

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PARTE DA MINHA JUVENTUDE PASSOU POR MUCABA

Hoje paro no tempo e penso, vejo Mucaba uma terra muito longínqua, que me roubou um pouco da minha juventude, criando-me dor, sofrimento e lágrimas pelos meus Camaradas de Armas que, faleceram ou ficaram feridos gravemente por minas ou acidentes.

Lembro-me, do 1º Cabo José Martins Antunes, que era das transmissões que era natural de Almacena - Castelo Branco, que faleceu devido a um acidente de uma BERLLIET que caiu de uma ponte ao rio, ficando o mesmo entalado no veículo debaixo da água, dos feridos Leonel Pinheiro de Ferreiros - Braga (mina-anti pessoal), António Ferreira Lopes (transmissões) de Regilde Felgueiras (acidente).

Não fui COBARDE para fugir aquela guerra, não a pretendia nem a queria, ainda hoje quando me levantei da minha cama, creio que ainda estava a sonhar ?. senti o toque do clarim para se IÇAR A BANDEIRA NACIONAL, o que era feito diariamente.

Hoje ou ontem, os que fugiram ao seu dever militar com a Pátria, sentem-se os verdadeiros salvadores da mesma, dizem eles que a Politica da época e a guerra não fazia parte do seu ideal de democracia, (ERA O MEDO DA MORTE OU SEREM MUTILADOS) por isso fugiram para outros Países, a esses Srs. dou-lhes o grande exemplo de CORAGEM o Lopes acima mencionado, quando o convocaram para se apresentar para cumprir o seu serviço Militar, ele encontrava-se em França era imigrante, e no dia da sua apresentação ele disse presente.


No centro de tudo isto, criei grandes amizades, com todos os "FALCÕES", e por esse motivo fizemos os possíveis por nos encontrar anualmente, no almoço de convívio dos "FALCÕES".

Nota:- Esta é uma foto minha no Quartel em Mucaba, vendo-se bem alta a Bandeira Nacional, alguns Falcões que não passaram por esta Vila, o edifício do lado dtº. era o Comando, Secretaria, Enfermaria, Transmissões/camarata, Arrecadação Mat/Guerra,Op. Cripto.

João Celestino

Estado de espírito dos angolanos


Para quem não sabe, foi porta voz da policia.
Luanda - Nasci num tempo em que já não havia nem colonos nem guerra colonial. Havia guerra entre nós, mas colonial já não. A minha infância foi povoada de relatos e vestígios de morte, a minha adolescência vivida entre o medo de ir à tropa e a esperança no fim da guerra. No meio de tudo isso ia à escola e ouvia histórias. O futuro era uma incógnita, por isso falava-se do passado. De um passado preenchido de coragem em busca da liberdade. E aos meus olhos, Agostinho Neto e os seus companheiros eram os heróis da vida real. Enquanto ouvia as histórias, tentava colocar-me naquele tempo, imaginava-me no meio do Rangel ou do Sambizanga com uma catana na mão, nas reuniões clandestinas do movimento, nas fugas para o Congo, a vida no maquis, nas matas e nas lutas. Imaginava-me na escrita camuflada do Luandino, nas músicas do David Zé, e experimentava o medo, a revolta, a angústia, a raiva também, mas principalmente a coragem dos que construíram aquelas histórias. Sentia inveja por não ter vivido naquele tempo para poder ser um herói como eles foram, porque tinha a certeza que nunca mais iríamos viver tempos como aqueles, em que homens lutaram para ser livres. A guerra colonial acabou sem que eu fizesse um único tiro. A nossa também terminou, e eu nem numa arma peguei. No meio disso nasceram outros heróis que um dia as crianças vão ouvir falar nas escolas e nas ruas. Mas hoje, quando penso na nossa sociedade não consigo libertar-me da sensação de estar amarrado dentro de mim. É verdade que posso ir à Benguela de carro, passar pelo Huambo e chegar até Malange, ainda assim me sinto preso dentro de mim. Todos os dias tenho de repetir para mim mesmo que sou livre, mas nem o som da minha própria voz parece o mesmo. Quando falo sobre isso com os meus amigos, com ex-colegas, com os meus companheiros da vida, todos concordam e se confessam aprisionados também, mas a seguir olham em volta e repetem o sussurro medroso da canção do Waldemar Bastos: «Xê menino, não fala política…», como se não fôssemos ainda livres. Afinal, somos ou não somos livres? Vivemos com medo mas, se pensarmos bem, nem sabemos do que tememos realmente, e acabamos por ter medo de tudo, até dos nossos pensamentos, das nossas ideias mais brilhantes. Numa sociedade livre as pessoas não têm de se lembrar todos os dias que o são, numa sociedade livre a liberdade é uma condição imanente da própria humanidade, é como o respirar, faz parte de si, e os gestos, os actos, as atitudes dos seus membros surgem com naturalidade, exactamente como o respirar. Quando não respiramos morremos, quando não temos liberdade também. Há dias, falando sobre isso com uma amiga, que por acaso está a fazer o curso para a magistratura judicial, ela disse que se sentia da mesma forma, mas que no nosso país «é preciso ter jogo de cintura», no fundo ela queria dizer que é preciso continuar a fingir que somos livres, porque assim pelo menos temos a certeza de que continuamos vivos, recebemos o salário ou um carro no serviço. Não cantamos, mas ao menos dançamos, mesmo sem gostar da música. O melhor é apenas tapar os ouvidos ou fingir que somos surdos. Fiquei horrorizado. Escandalizado. Aliás, vivo escandalizado, principalmente quando penso que, se Agostinho Neto e os seus companheiros usassem o jogo de cintura, provavelmente não estaríamos ainda independentes, e ao invés de ouvirmos as histórias do Ngunga e do Pioneiro Ngangula, estaríamos a ler Os Lusíadas e a cantar Heróis do Mar, invés do Angola Avante da nossa infância. Se calhar, e ainda bem, Neto e os seus companheiros não sabiam dançar e preferiram lutar. Mas a verdade é que no nosso país até a mera intenção de falar se tornou num acto «insensato» de coragem, pensar hoje é uma afronta, e por causa disso estamos a construir uma sociedade dos Prós e dos Contra, onde quem fala subverte o sistema e ameaça a estabilidade, como se das palavras viesse o mal que todos vêm, como se o silêncio fosse capaz de corrigir os erros que sabemos, como se o barulho do nosso grito mudo fosse capaz de abafar as frustrações visíveis em cada olhar calado. O falar só assusta numa sociedade onde não há liberdade. Mais do que assustar, quando não há liberdade, o falar incomoda, e as pessoas vivem caladas, ou falam o que não pensam. Mas a maioria não fala, até aqueles que têm a obrigação histórica e moral de o fazer. Não falam, não porque têm medo de falar, mas porque têm medo de pensar e não querem correr o risco de falar. Silenciamos o pensamento e vivemos calados de boca aberta. Quando vejo isso penso nos heróis do tempo do colono. Acredito que era exactamente assim que eles se sentiam. Prisioneiros de si. Basta lembrar de um poema, um único poema, A renúncia impossível, de Neto, e de todos os lamentos daqueles tempos, para perceber a tentativa corajosa daquela gente se libertar da prisão que era a sua vida, resumida a uma mera existência. Uns preferiram morrer, simplesmente porque é impossível renunciar a liberdade e continuar vivo. E quando penso nisso, penso em todos os heróis da liberdade. Para além de Neto, penso em Martin Luther King, penso em Mandela, recordo Gandhi, e percebo que apenas penso neles porque todos, e cada um deles, lutaram pela mesma liberdade. No fundo eles não são heróis de verdade, são simples homens que recusaram ser animais, quando a maioria se contentava a imitar a vida de um cão acorrentado, que ladra e faz piruetas por um pedaço de pão. Exactamente como Agostinho Neto e os seus companheiros, eles lutaram pela liberdade. Não a liberdade dos sistemas políticos, perdida nos meandros das constituições, mas a liberdade da alma, a liberdade profunda, infinita e ilimitada, a liberdade que faz de nós gente, a única capaz de revelar a excelência de cada um. A minha geração, aqueles que não viram a guerra colonial, mas sentiram o cheiro da morte nas histórias da guerra, que ouviram as histórias do Agostinho Neto, parece contente com a sua existência, mas na verdade não está. A minha geração parece que vive para ver a hora a passar, enquanto inventa um momento, uma festa, um caldo, ou ficar na esquina da rua a fazer o jogo de cintura, enquanto bebe uma cerveja e finge que está contente, mas na verdade não está. Temos apenas medo, e bebemos para afogar os pensamentos, como o poeta que fumava ópio. Fingimos sorrisos mas vivemos a reclamar calados. Calados ninguém nos ouve. A minha geração vive calada de boca aberta, silenciou o pensamento com medo de falar. Uma sociedade que não pensa, porque tem medo de falar, não produz ideias. Uma sociedade que não tem ideias, porque não pensa, nunca atingirá a excelência. Uma sociedade que não permite que os seus membros falem, impede que os seus membros pensem; impedindo que os seus membros pensem, impede que eles atinjam a excelência. Uma sociedade assim nunca irá formar um Barack Obama, um Tony Blair, um Bill Clinton, uma Angela Merkel, um Seretse Kama, um Durão Barroso, nem sequer um Cristiano Ronaldo. É verdade que não são mais tempos de luta, não são mais tempos de forjar heróis, de andar com catanas no Marçal e no Sambizanga, de escrever panfletos às escondidas, de pintar paredes com palavras de ordem, mas também já não são tempos para jogos de cintura. É tempo de esgrimir ideias, é tempo de aprendermos a ser livres, de aprendermos a respeitar a liberdade, a nossa e a dos outros, para permitir que cada um consiga libertar a excelência escondida no seu medo. Numa sociedade onde as pessoas não se sentem livres não existe excelência, com excepção da que vem amarrada atrás dos cargos.
Divaldo Martins,Super-intendente-chefe, ex-porta-voz da Policia Nacional.
Fonte: SA

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pessoal do 4º GC


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Provavelmente estávamos preparando alguma coluna de protecção, o Sousa fazia de condutor enquanto eu, mandava umas bocas, na traseira do Unimog.
As colunas de protecção eram penosas, ou havia muito pó ou muita lama, dependia da época do ano mas, a mais dura de todas, foi uma que durou quase 2 dias para ir do Lucunga até à Lêmboa, mais ou menos 60 kms.
Estávamos na Lêmboa, tínhamos ido fazer o reabastecimento ao Lucunga, na volta aconteceu de tudo, chovia desalmadamente, as viaturas atascavam, avariavam, foi um martírio.
Chegámos à Lêmboa completamente exaustos, então dei conta que, não levava a arma. Tinha ficado encostada a uma árvore, num dos últimos atascadeiros das viaturas. Claro, tivemos de voltar para trás para recuperar a G3.
Moral da história, o IN era nosso amigo.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Meninos do Lucunga


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Foto com 2 habitantes do Lucunga, os militares sempre se socializaram com a população local, essa foi uma das acções meritórias da tropa portuguesa em África, a CART 3451 não fugiu à regra. Se bem me lembro, o jovem que se vê à esquerda, é filho ou sobrinho do Raul, o guia.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lêmboa - Belezas naturais

Quem andou pela mata, encontrou sítios paradisíacos, estas quedas de água na região da Lêmboa são exemplo disso. Foi pena, não termos conhecido estes sítios em circunstâncias diferentes, em turismo, teríamos oportunidade de apreciar belezas naturais ímpares.